Gustavo Diógenes
Fortaleza, CE | 1983
Com formação em publicidade e artes gráficas, sua pesquisa atual se concentra na pintura a óleo sobre tela e na gravura, tomando a paisagem urbana do Nordeste setentrional brasileiro como campo de observação e elaboração formal. O claro-escuro estrutura cenas que se afastam da iconografia alegórica tradicional, substituídas por postes de luz, motocicletas, carros abandonados e ruas em expansão, onde a cidade convive com uma dimensão melancólica do sertão.
Suas pinturas constroem atmosferas de suspensão e isolamento. Estradas, bares, postos de gasolina e espaços vazios surgem ao amanhecer ou ao cair do dia, em paisagens atravessadas pela memória. A luz acentua o caráter ambíguo da cena, situada entre o trivial e o enigmático. Com isso, a pintura lança um diálogo latente com o cinema brasileiro contemporâneo, especialmente com os filmes de estrada “O céu de Suely” e “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, referências que também elaboram o sertão cearense como espaço de deslocamento e introspecção.
Suas telas sugerem o trânsito de Diógenes por áreas como fotografia e pintura. Ao mesmo tempo, o contato com a gravura ampliou sua relação com a matéria pictórica, permitindo maior liberdade no uso de manchas e na construção da imagem. Como afirma o artista, a ausência também é forma de presença: é no vazio e no mistério que essas paisagens convocam o olhar a ver mais do que está dado.