O olho, o arco, o mundo

Curadoria Daniel Donato

Renato Rios, Ventania [A caça], 2026

“O olho, o arco, o mundo”, Marco Zero promove exposição que aproxima as pinturas de Renato Rios das obras de Gilvan Samico e Montez Magno

A Galeria Marco Zero, em parceria com a Claraboia, apresenta, no dia 15 de outubro, a exposição “O olho, o arco, o mundo”, que reúne cerca de 60 obras de Renato Rios (Brasília, 1989), Gilvan Samico (PE, 1928–2013) e Montez Magno (PE, 1934–2023), com curadoria de Daniel Donato. O núcleo da mostra é formado por telas de Rios, entre elas uma pintura instalativa, em diálogo direto com as gravuras de Samico. A presença de Montez, com trabalhos de sua fase geométrica, amplia esse campo de relações entre cor, forma e espaço.

O ponto de partida da coletiva é “Via Láctea”, série instalativa de Renato Rios concebida a partir da gravura homônima de Samico. Apresentada pela primeira vez no Recife, a obra de 12 metros ganha uma nova montagem concebida especialmente para a Marco Zero. Além dela, três novas séries de Rios são produzidas a partir de três gravuras do artista pernambucano: “A Caça”, “O Devorador de Estrelas” e “O Fazedor da Manhã”, que também integram a exposição.

Renato Rios, Via Láctea [díptico 3], 2026

O interesse de Rios pela obra de Samico não está apenas nas imagens, mas na maneira como elas ocupam e organizam o espaço. Renato desloca essa espacialidade para a pintura, substituindo a linha da gravura pela superfície e construindo suas obras por meio de velaturas, em camadas sucessivas de cor.

“Renato observa muito a forma como Samico concebe o espaço na gravura. As séries são arranjos espaciais e cromáticos que depuram essa construção. Montez Magno vem a somar nesse grupo com obras da sua fase mais geométrica, mostrando essa relação entre espacialidades e cores distintas”, explica o curador Daniel Donato. A partir desse encontro, as pinturas de Rios não procuram traduzir ou ilustrar as gravuras. Elas retomam suas estruturas espaciais para investigar o que acontece quando o desenho dá lugar à cor e quando a imagem passa a surgir da relação entre diferentes campos cromáticos.

Gilvan Samico, O Sagrando, 1997

“O Devorador de Estrelas”, de Samico, inspirou a série de pinturas “Quatro Câmaras do Coração”; “A Caça” aparece como disparadora criativa de telas como “Ventania”, “Sete Flechas”, “Rompe Mato” e “Marabô”; e “O Fazedor da Manhã” está na origem de trabalhos como a série “Carcará Coral”. Outras telas de Renato, como “Artemísia” e “A Filha do Sol”, também estarão em exibição.

Ao se debruçar sobre a produção de Gilvan Samico, Renato Rios investiga uma linguagem marcada pela precisão do desenho e pela organização rigorosa dos elementos simbólicos.

Montez Magno, Sem título [da série Barracas do Nordeste], 1977

A presença de Montez Magno acrescenta outra camada a essa investigação. As obras selecionadas pertencem à sua produção mais geométrica e estabelecem uma relação direta com a estrutura, a redução formal e a organização da superfície. “A exposição é sobre o arranjo cromático como modo de construir espaço”, reforça o curador.

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O olho, o arco, o mundo – Renato Rios, Gilvan Samico e Montez Magno
A partir de quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Galeria Marco Zero – Av. Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem, Recife
Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Entrada franca