Olga não me deu nada como herança – Juliana Lapa

Curadoria de Galciani Neves

Vista da exposição Olga não me deu nada como herança, Claraboia, São Paulo. Foto Julia Thompson.

Juliana Lapa apresenta obras inéditas em sua primeira exposição individual em São Paulo

Com curadoria de Galciani Neves, “Olga não me deu nada como herança” fica em cartaz na Claraboia, de 30 de maio a 8 de agosto

Como em uma espécie de labirinto, as obras da exposição “Olga não me deu nada como herança”, primeira individual de Juliana Lapa em São Paulo, convidam o público para uma jornada que não possui um percurso definido ou uma saída. A ela, interessa as infinitas possibilidades que as fabulações visuais podem provocar, a partir de narrativas que são marcadas pelo protagonismo das mulheres, memórias fragmentadas, a violência, afetos e as paisagens, entre o real e o fantástico. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra reúne 18 obras inéditas e entra em cartaz no dia 30 de maio, na Claraboia, produzida em parceria com a Galeria Marco Zero.

Em sua produção, Juliana Lapa constrói imagens que parecem emergir da matéria como lembranças difusas, pois mesclam memórias pessoais e coletivas, reais e imaginadas. Em suas pinturas e desenhos, camadas se acumulam a partir do gesto de cobrir, apagar, riscar e revelar, transformando a superfície em um campo de escavação sensível que entrelaça sonhos e recordações. Como indica a curadora, para nomear seu procedimento de extração como gesto artístico, Juliana recorreu à estratigrafia, técnica de conservação e restauro de prédios, que analisa e identifica camadas de pintura e de sobreposição de materiais que se sucedem ao longo do tempo.

Suas cenas nunca parecem estáticas, sugerindo novas interpretações a cada olhar. As paisagens são permeadas por figuras, em sua maioria mulheres, fontes primeiras de sua investigação, e símbolos que convocam ideias de intimidade e de experiências compartilhadas. Em diálogo com a paisagem, aparecem realizando ações corriqueiras – dançando, caminhando, amamentando, acendendo fogueiras ou abraçando companheiras – e também fantásticas, como fazendo brotar estrelas, engolindo lugares, jorrando tripas, correndo com lobos, acariciando vermes.

Seus corpos incitam rituais e bruxarias, guardam o mundo, acolhem as crias, festejam o tempo, bradam línguas, incendeiam lamúrias, rogam aos ventos, se juntam em festa. Com seus dedos fazem tudo brilhar e queimar. Peles de cobra, corpos dourados e cintilantes, tetas venenosas, bustos esburacados, pernas feitas de água, cabelos que tecem histórias se metamorfoseiam e escorrem por montanhas, céus e infernos, guiando-se pelo enorme desejo de ser o que querem”, reforça Galciani Neves no texto curatorial.

Delicadeza e brutalidade caminham juntas em sua produção, em uma exposição das zonas de tensão e dos resquícios da violência que atravessam a experiência cotidiana, especialmente de determinados corpos. Para a curadora, “os trabalhos de Juliana Lapa vêm se configurando como uma mistura fluida entre materiais, reconhecíveis e também não-habituais na arte, e linguagens que se manifestam como invenções experimentais muito singulares”.


Olga não me deu nada como herança – Juliana Lapa
De 30/05/2026 a 08/08/2026
Claraboia – Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 – Jd. América, São Paulo
Seg. a Sex.: 10h – 19h | Sáb.: 11h
Entrada franca