Suspensa voluta – Pedro Azaleia

Curadoria Daniel Donato

Pico de Jaca, 2026

Marco Zero e Claraboia apresentam “Suspensa Voluta”, primeira individual de Pedro Azaleia em São Paulo, com curadoria de Daniel Donato

Durante suas caminhadas pelo centro histórico do Rio de Janeiro, Pedro Azaleia investiga a cidade como um arquivo em permanente transformação. O espaço urbano se torna um campo de atrito permeado por vestígios e temporalidades, perspectiva que atravessa a pesquisa do artista e ganha forma nas obras reunidas em “Suspensa voluta”. A exposição reúne parte da produção recente de Azaleia, em que a pintura se constitui como lugar de acúmulo, apagamento e criação. Com curadoria de Daniel Donato, a individual é realizada em parceria pelas galerias Marco Zero e Claraboia e abre ao público em 6 de outubro, em São Paulo. 

Como um flâneur contemporâneo, Pedro Azaleia se lança nos mistérios da cidade sem interesse em solucioná-los. Prefere percorrer suas tensões, como evidenciam as telas reunidas em “Suspensa voluta”, marcadas por uma ambiência noturna que parece embaralhar temporalidades. Nelas, elementos da arquitetura urbana, apresentados como ruínas, se entrelaçam a formas da natureza. Elementos ornamentais de edifícios de matriz eclética, como volutas, colunas e gradis, convivem com formas naturais e são submetidos a um mesmo processo de observação, sobreposição e transformação. 

Praça XV, 2026

Essa sobreposição de tempos e formas também está presente na própria construção das pinturas. Como observa Daniel Donato, após suas imersões na cidade e na floresta, Pedro Azaleia constrói no ateliê a superfície pictórica por meio de um espatulado denso, em diversas camadas de tinta sobre a tela — em média, de nove a dez por quadro. Posteriormente, constrói o desenho ao rasurar a superfície com um estilete ou traçar linhas com o uso contido do pincel. 

 Em suas telas, imagens arquitetônicas se sobrepõem a elementos naturais, enquanto adição e subtração de matéria produzem efeitos de erosão e sedimentação. As pinturas atuam, portanto, como palimpsestos, acumulando camadas distintas de temporalidades históricas, botânicas e geográficas. O curador destaca ainda o papel central da cor na pintura de Azaleia. Ela é, ao mesmo tempo, matéria e objeto, e não funciona como mero recurso ilusionista. 

“No fim, a impressão que permanece do trabalho é que nos situamos na porta de um labirinto sem conseguir decifrar qual a sua entrada (…) Daí que as telas do pintor nos remetam a um tipo de sci-fibarroco. A tarefa de Azaleia não é trazê-lo para a claridade do pensamento, mas enuviar nosso olhar em direção a um passado ou futuro catastróficos que acumulam delitos. É essa distensão temporal que guia Azaleia a pintar como quem anda a fazer botânica no asfalto”, reflete Daniel Donato. 

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Suspensa voluta – Pedro Azaleia
De 06/10/2026 a 14/11/2026
Claraboia – Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 – Jd. América, São Paulo
Seg. a Sex.: 10h – 19h | Sáb.: 11h
Entrada franca