Artur Bombonato
Fortaleza, CE | 1989
A pintura de Artur Bombonato é povoada por personagens que habitam uma zona ambígua entre realidade e ficção, memória e desaparecimento, registro e fabulação. Sua produção pictórica constrói um universo imagético aberto a diferentes influências, que vão da história da arte às imagens virtuais e às cenas recolhidas em suas andanças. O pintor busca seu motivo em vídeos de baixa qualidade que são compartilhados na internet. Bombonato então seleciona, recorta e edita trechos dessas imagens que frequentemente retratam festividades regionais com seus personagens, vestimentas e cenários.
A lida com imagens em movimento, enfim, reverbera na qualidade fugidia das pinceladas do artista, como se o momento nunca estivesse completamente capturado.
Sua representação de animais ou de figuras mascaradas, muitas delas inspiradas em brinquedos da cultura popular nordestina, sugerem seres híbridos, quase inclassificáveis, como se um cão pudesse ser também algum outro ser, ou que a fantasia seja a própria pele do real. Em suas paisagens, urbanas ou rurais, há uma suspensão temporal, um olhar para o vazio, que pode ser tanto físico como simbólico, construindo uma atmosfera de mistério. O artista propõe uma ambiguidade latente, com cenas em que algo está sempre passível de ser revelado ou desaparecer, transformando-se a cada mirada. São aparições que vão se revelando a partir do próprio gesto pictórico, do estudo da materialidade da tinta, da relação com as superfícies.
O trabalho de cor, na obra de Bombonato, é contaminado, como se as cores, além de se misturarem, escorressem umas para as outras. O tratamento cromático também reverbera os detalhes efêmeros e saturações cromáticas das imagens em movimento. Assim, suas telas revelam pouco a pouco um trabalho meticuloso de cor, forma e construção da imagem. Camadas, rasuras e detalhes indicam uma negociação constante entre erros e recomeços.
Artur Bombonato realizou sua última exposição individual, intitulada Anjo de fogo e A turma, em 2025, no Espaço Caroço, São Paulo. Dentre as diversas exposições coletivas que participou, destacam-se: Adiar o fim do mundo, FGV Arte, Rio de Janeiro, 2025; O agora em suspensão, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, 2025; Vaquejada da meia-noite, Galeria Almeida & Dale, São Paulo, 2025; Se arar, Pinacoteca do Ceará, Fortaleza, 2022; Corpo crivado de estrelas, Galeria Leonardo Leal, Fortaleza, 2021. Seu trabalho integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza.