Ramonn Vieitez
Recife – PE | 1991
Ramonn Vieitez constrói telas, trípticos e objetos em madeira e metal que se destacam pela inventividade e apreço artesanal. Com apuro técnico e letramento em história da pintura, Vieitez incorpora criticamente materiais e suportes tradicionais desse meio, como os oratórios e altares de madeira que remontam à Idade Média. No entanto, este aspecto antiquário de seu trabalho convive com temas e práticas profundamente contemporâneas que forjam em sua pintura uma atmosfera obscura que flerta com o fantástico.
Vieitez une em suas telas historicidades díspares que engendram uma relação particular com a pintura, seus materiais e técnicas. Assim, suportes típicos do medievo, composições de inspiração simbolista e referências à cultura pop constituem um universo visual caracterizado pela teatralidade e exuberância colorística. Em alguns casos, essa visualidade particular à sua pintura se soma a um universo urbano com protagonismo de sujeitos dissidentes, em especial, queers. Nestes trabalhos, a figuração humana é posta em uma atmosfera melancólica em que violência e erotismo estão igualmente presentes. São trabalhos que lidam com o trauma presente em processos sociais de exclusão.
Em suas telas mais recentes, as paisagens ganham protagonismo. A superfície é completamente preenchida com pinceladas espiralares e repetitivas que dão à paisagem um aspecto vaporoso. Vulcões, estrelas cadentes e meteoros preenchem essas paisagens em que a natureza parece estar em pleno estado de ebulição. É como se, em certo sentido, as paisagens fossem uma alegoria para o desejo e a pulsão eróticas, elemento que liga aos seus trabalhos anteriores. São composições complexas em que a madeira e o metal se tornam elementos pictóricos, articulando a pintura enquanto trabalho objetual.
Ramonn Vieitez participou de diversas mostras individuais durante sua carreira, dentre as quais destacam-se: O fim é o começo, Observatório cultural Torre Malakoff, Recife, 2024 e Assim – enjoy the silence, Fundação Joaquim Nabuco & Museu do Homem do Nordeste, Recife, 2016. Entre suas coletivas mais importantes estão: Antes do Brasil, o Nordeste, Arrecife galeria, Rio de Janeiro, 2025; Brazil now – vol. I, U-art-p, Bergamo, Itália, 2024; Always something there to remind me, Do! art projects & uncool artist, Nova York, Estados Unidos da América, 2023; The storm, The art and design project, Miami, Estados Unidos da América, 2023. Seu trabalho faz parte de diversas coleções institucionais dentro e fora do Brasil: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Fondazione Benetton Ricerche, Itália; Frase Contemporary Art, Itália.